• Dra. Ilka B. Lineburger

Dor, envelhecimento e qualidade de vida: É possível o equilíbrio?

Atualizado: 26 de Mai de 2020


Os avanços terapêuticos na medicina proporcionaram os ganhos em longevidade nos últimos séculos. Dados recentes da organização mundial de saúde, estimam que o número de idosos (> 60 anos), irá duplicar até 2050 na maior parte do mundo. No Brasil, a estimativa é que essa população, triplique. Assim, as consequências do envelhecimento terão que ser readequadas, para que possamos desfrutar desse período com qualidade.


Com o avanço da idade, as alterações degenerativas somam-se aos fatores de riscos individuais (tabagismo, etilismo, diabetes, hipertensão, insuficiência renal e hepática, etc) influenciando a experiência das patologias crônicas.

A convivência com doenças crônicas (reumatismos, diabetes, osteoporose, câncer) obtidos pelo avanço terapêutico, e as alterações fisiológicas do processo de interpretação de dor surgidas com o envelhecimento, deixam a população idosa em maior risco de desenvolver dores crônicas, especialmente após infecções, traumas e cirurgias.

Em 2010, o Colégio Americano de Reumatologia (ACR), lançou uma força tarefa, ressaltando a importância do tratamento da dor e classificando as principais síndromes dolorosas em doenças reumáticas: 

1. Somática Superficial (pele, subcutâneo): doenças autoimunes com envolvimento cutâneo (lúpus eritematoso sistêmico, vasculites); 2. Somática Profunda (músculos, periósteo, ligamentos, articulações, vasos):osteoartrite, artrite reumatoide, espondiloartrites, gota, alterações degenerativas da coluna, bursites, síndromes dolorosas pós-cirúrgicas, osteoporose, etc. 3. Radiculares (compressão de raízes nervosas): estenose do canal vertebral, discopatias, etc. 4. Neurogênica/ central (sistema nervoso central/periférico):dor complexa regional, neuropatias, síndromes de sensibilização central (fibromialgia, dor miofascial e distrofia simpática-reflexa), etc.

Estima-se que 60% da população acima de 65 anos sofra com alguma patologia dolorosa. Sabe-se que a dor, quando não adequadamente tratada, aumenta em 9 vezes o risco de delirium em idosos. A presença de dor crônica também torna maior as chances de quedas e fraturas, depressão, ansiedade e isolamento social, refletindo em uma pobre qualidade de vida.

A população nessa idade, sempre deve ser questionada sobre a DOR (duração, qualidade, intensidade e frequência). Uma série de opções terapêuticas (medicamentosas e não medicamentosas) podem ser disponibilizadas em busca do equilíbrio satisfatório, mantendo o idoso em sua plena capacidade funcional e social. As intervenções minimamente invasivas, como bloqueios analgésicos, e as medicações com potencial de modular a interpretação da dor, norteiam o tratamento da dor crônica nessa população, além de ser uma opção para os que possuam contra-indicações ou receios a intervenções cirúrgicas.

Dessa maneira, o equilíbrio entre envelhecimento e surgimento de processos dolorosos inerentes do mesmo, podem sim ser devidamente controlados, para que o ganho em longevidade reflita em plena interação de vida.


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